segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Com saudades de ti Ana Mariquinhas

"À minha amiga Cristina Mariquinhas Soares Pereira
Quando os filhos não têm um super herói, mas uma super guerreira
Enquanto és mãe e pai, és também cozinheira, professora, educadora, amiga e companheira, conselheira, organizadora, trabalhadora… És mãe e filha, és amiga, és vizinha, enfermeira e médica sempre que necessário…
És motorista, jardineira, anjo da guarda ou polícia, por vezes até cientista!
Pagas as contas, esticas dinheiro e inventas tempo para seres um bocadinho tu ;-)
Tudo isto em pose de senhora, num corpo feminino que os aconchega no colo, que se molda às cabeças no ombro e lhes deu de mamar quando eram bebés.
Um corpo e uma mente com a flexibilidade necessária para cada nova situação com que te deparas e a voz doce e meiga que os protege, com a necessidade pontual da autoridade que os alerta e coloca em sentido. Sim Sr. Manuel, ela consegue ser isto tudo!

Super Guerreira sempre com a espada numa mão e o coração como escudo na outra. Não há dias de folga, não existe um “toma agora tu conta deles para eu descansar” ou mesmo acompanhar as amigas num final de dia. 
Tudo já para não falar de privar contigo mesma e privilegiar de uns momentos sozinha.
És a presença feminina assídua, perante uma ausência constante da figura masculina. Paterna dizem vocês. Discordo. A paterna é na maioria das vezes assumida por alguém, que nessa mesma maioria se intitula Mãe, mas que pontualmente é até o avô.
Aos filhos preenches silêncios, para que eles não falem tão alto, ocupas-lhes os tempos livres para que eles não tenham tempo para sentir a falta, mas também lhes ensinas que para quem realmente importa não existe ausência nem falta de tempo. Ainda que não tenhas na maioria das vezes força para acreditar nas palavras que lhes transmites. Ainda que na maioria das vezes em que te falta a energia tenhas dificuldade em preencher os teus silêncios e consigas aguentar a ausência e todo o teu mundo e o deles sobre ti!

Acima de tudo e de qualquer outra coisa, nesses momentos lembra-te que ensinas e demonstras em todos os dias úteis, feriados e fins de semana, a tempo e horas ou fora delas, que um coração de mãe é infinito. E tu Cristina Mariquinhas és uma super guerreira!
Beijinhos Ana Mariquinhas"



PS. este excerto que "no todo não faz sentido, mas em parte e com uns pozinhos à mistura é tudo" data de setembro de 2016... é um texto que leio e releio sempre que o meu ego precisa de asas. A minha Ana Mariquinhas está em casa porque teve um maravilhoso reizinho. Por aqui já se sente a sua falta... nos desafios, nas conquistas, nas gargalhadas que nos fazem ir às lágrimas. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Eu, em modo stand-by

A Humanidade surpreende-me! 
Dizem que estamos cada vez mais desenvolvidos; que as famílias de hoje têm condições surpreendentemente melhores que as famílias dos nossos avós; nas parangonas dos jornais lê-se "Novas vacinas, fármacos mais eficazes e com menos efeitos secundários, tecnologias inovadoras, técnicas cirúrgicas que vão ficar na história" e ainda assim, olho à minha volta, e o que vejo está longe de ser um mundo perfeito.
Mulheres que desrespeitam maridos, maridos que desrespeitam mulheres; filhos que não respeitam pais, pais que não respeitam filhos; idosos deixados ao abandono em hospitais e lares de 3ª idade; crianças que choram ausências e faltas de afeto.
Estas conversas de café põe-me doente! Enfim, é de mim ou o mundo está virado do avesso?!

"Mãeeeee... lexzionei-me!"

Eu sabia que este dia havia de chegar. Confesso que estive sempre dividida em fazer-lhe a vontade (enorme) e mostrar-lhe outras opções. Quando me decidia por uma das duas, a outra metade da balança pesava e fui vivendo entre esta discussão quase pacífica entre o lado anjinho de mim e o lado diabinho.
Até que há duas semanas o momento, tão aguardado por ele e tão adiado por mim, chegou.
GOOOOOOOOLO!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

E a Chanel vai para...

Não tenho perfil para heroína, e confesso os filmes dos super heróis nunca foram os meus preferidos. Obviamente conheço alguns que me preencheram as tardes de sábado ou domingo de sofá e manta, mas nunca fui aficcionada por esse conceito de ser humano que tem super poderes (nada naturais) e que, se for um dos bonzinhos, os aplica a salvar o mundo e arredores, se for um dos vilões, os aplica a fazer precisamente o contrário. 
E já que hoje me deu para pensar sobre estas coisas (sem importância nenhuma, estou certa para a maioria) importa referir ainda outra ideia que me desagrada ainda mais. Na tela, como na vida real, por trás de um bom herói tem que estar sempre um maléfico vilão, cujos papéis secundários não se comparam ao seu papel principal: ajudar a destacar as boas práticas do primeiro.
Por isso aqui em casa - contra rumores, factos e argumentos -, não habitam nem super heróis nem super heroínas, apenas pessoas de "carne e osso", com dias bons e dias maus, que se esforçam para praticar o bem (o seu e o dos outros) mas que também têm os seus momentos menos bons (em que apetece mandar tudo e todos à fava e ver se entre mortos e feridos alguém escapa).
Meus queridos, capa de heroína não tenho e nunca tive, a não ser nas histórias aos quadradinhos, que se guardadas tivessem sido cheirariam com certeza a mofo. Já uma carteira Chanel era muito bem vinda ao meu closet e faria uma figuraça com o meu outfit.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ano novo, escola nova

E tudo acaba bem quando começa bem! 
Em 24 horas já tiveste tempo para novas amizades, para seres recebida com alegria e emoção, para partilhares tudo isto com a mãe e com o pai que, de surpresa, não quis deixar de partilhar contigo este grande momento.
"Nunca é tarde para ter um novo objetivo ou sonhar um sonho novo", Lewis.
Que traces os teus objetivos, recuperes os pedaços dos teus sonhos e cries com a delicadeza, alegria e entusiasmo que em ti reconheço, um novo sonho - mais bonito, à tua medida, capaz de mostrar-te o ser especial que és.
Amo-te. Bom ano!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

E já sou quase crescido, mamã!

Mais uma etapa na tua vida querido filho. 
Parece que foi ontem que entrei no Hospital de S. João ansiosa por conhecer-te e sair contigo nos braços, e reparo agora que o tempo voou. Cresceste filho, e coube-me hoje, depois de há seis anos o ter feito com a tua irmã, levar-te pela primeira vez para escola para "socializares".
Estes anos em casa da avó foram anos de ouro pequeno príncipe, hás-de recordá-los com carinho para sempre. Hás-de sentir saudades dos abraços, dos beijinhos, do colinho carinhoso, dos lanchinhos preparados com amor e dos soninhos desfrutados ao som de uma história do antigamente. 
Estou certa de que esta avó terá para sempre um lugar especial no teu coração e na tua vida. Não esqueças: ontem foste tu a procurar o seu colo, o seu abraço e o seu mimo; amanhã recebe-a de coração aberto quando ela procurar a tua mão, o teu mimo e o teu abraço.
Foste um herói querido filho! Deixei-te à porta de uma sala que já foi minha, com uma senhora de cara simpática e sorridente, que te recebeu de olhos arregalados como quem recebe um presente especial. 
Com relutância ficaste sem um choro ou um ai. Relembrei-te a história que te fez dormir na noite passada. Colocando a tua pequena mão do lado esquerdo do teu peito guardei-me no lugar mais especial de ti, para sempre que o miminho chegue, a saudade aperte e a vontade de ir para casa seja crescente, e a tua perspicácia fez-te entender que apesar de te virar as costas e ir, um pedaço de mim fica sempre contigo.
De facto, a professora Isabel está longe de perceber o quão especial és tu, meu presente divino. O tempo mostrar-lhe-á a ternura, a meiguice, a boa disposição, que lhe confio todos os dias de coração apertado.
Amo-te filho.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Declaro-te uma "Super Heroína"

Hoje não me apetece falar-te, nem abraçar-te, nem tão pouco ouvir a tua voz. Estou triste! Cansada com a vida, cansada contigo mas não de ti!
Continuo a amar-te, mais do que aquele primeiro dia em que te vi e dos meus braços não saíste mais. Cresceste! Contigo cresceu este amor mas também as preocupações, e confesso nunca pensei que crescessem tanto (de forma galopante nos últimos três anos).
Sei que me amas, da mesma forma intensa e mimalha que te amo. Sei que sou "chata, má, egoísta, injusta", e uma grande quantidade de adjetivos nada simpáticos aos meus ouvidos e tão saborosos à tua boca.
É provável que tenhas razão! De facto, poderei ser algumas vezes isso tudo, e muito mais, estou certa que sim! Mas sabes filha, não consigo ouvir-te dizer nem mais uma vez que não és capaz! Que não consegues! 
Não consigo compreender que refiles e te insurjas de forma estridente sobre algo com que não concordas, num tom de má criação, e dois minutos depois chores descontroladamente entre um misto de cordeiro e lobo mau.
Oh querida filha, acima de tudo gostava que fosses capaz de, com humildade, olhar a vida que tens e ser agradecida.
Estarei apenas cansada como dizes!? Sem paciência após mas um dia esgotante!? É muito provável, mas mais uma vez deixei que me cortassem o pio! Desta vez permiti que fosses tu, uma pirralha de oito anos! 
Falei.... pedi que ouvisses!
Falaste... algumas das tuas verdades feriram-me! Ouvi-te!
Voltei a falar!
Choraste mais!
Sorrateiramente saí de cena e fechei a minha boca com um zipper.
Vim para casa sozinha. O colo da avó nestas alturas sabe ainda melhor. Olho o relógio. Passaram duas horas e continuo assim. Muda! Sem uma palavra dita de viva voz! Mil pensamentos invadem o meu cérebro, e uns tantos sentimentos confusos apertam o meu coração. Revolta?! Resignação?! Amor?! Saudade?! Loucura?! 
Aqui. Agora. Espero apenas o descer do pano, aguardando as cenas do próximo episódio, ou apenas o romper de um novo dia! 
Marteladas contínuas na minha cabeça não me deixam dormir, e se por um lado o meu corpo se entrega a uma preguiça quase mórbida, por outro o meu cérebro não se cansa de repetir as verdades que tu não sabes.
És muito mais do que aquilo que imaginas minha filha! Não fazes ideia no orgulho que tenho na criança solidária, preocupada com o próximo, carinhosa e meiga, em que te tornaste. És um exemplo de boa amiga, neta amorosa, filha preocupada e atenta, e aluna responsável, só preciso que não desistas de ti, entendes? Que não desistas de fazer voar os teus sonhos, mesmo que um vento forte ou uma tempestade insista em os derrubar. Só preciso que te levantes após cada queda não calculada e não receies a próxima queda (mesmo que te esfole os joelhos ou os cotovelos). Só preciso que confies em mim, para te apoiar, para te ouvir, para te abraçar, para te proteger... 
Não me subestimes Leonor, mas acima de tudo não te subestimes! És poderosa! Mais do que imaginas! És brilhante, juro filha! Será dessa capa invisível de "Super Heroína"?
Não receies partilhar comigo as tuas alegrias (ou tristezas), os teus sucessos (ou insucessos). Ao teu lado estarei sempre. Na tua vida serei uma estrela mas serás tu, a mais brilhante das estrelas no palco da tua vida! 
Amo-te!
Ps. afinal a bicicleta "grande" é apenas uma bicicleta. E mais um desafio vencido e um medo ultrapassado. És o meu orgulho!